Teve início ontem, no Anhembi, em São Paulo, a 13ª Feimafe (Feira Internacional de Máquinas-Ferramenta e Sistemas Integrados de Manufatura), evento que reúne as principais indústrias de máquinas e ferramentas do Brasil. O Sinafer (Sindicato das Indústrias de Ferramentas), que ao lado da Abimaq, na década de 1980, foi responsável pela criação da Feira, estará presente com um estande para dar suporte a todos os seus associados.
O evento conta com a presença de 87 empresas associadas ao Sinafer, que somadas representam mais de 10 mil metros quadrados da área de exposição do pavilhão. “Entendemos que esta é a feira mais importante para o setor”, afirmou Milton Rezende, presidente do Sinafer, que participou da abertura oficial da feira e da coletiva destinada aos jornalistas. O Sindicato, que é principal representante do setor junto ao governo, defendendo reivindicações de ordem técnica e econômica, aproveitará a oportunidade para apresentar dados do setor, já que, segundo Milton Rezende, os números com os quais o setor trabalha hoje têm levado o Brasil a uma condição de colônia. “Hoje, o grande problema enfrentado pelo nosso setor é o que chamamos de ‘desindustrialização do Brasil’, já que as fábricas brasileiras têm importado a maior parte de seus componentes, peças e moldes, colocando em desuso as nossas ferramentas”, afirma Rezende.
Mesmo com o mercado aquecido e números que apontam um crescimento na produção da indústria brasileira, Rezende destaca que as empresas do setor estão deixando de fabricar ferramentas, alegando que em decorrência do ‘custo Brasil’ (dólar barato, carga tributária, juros altos e o custo da mão de obra) as mesmas deixaram de ser competitivas com as importadas. “As empresas, principalmente as multinacionais, estão substituindo suas fábricas por grandes Centros de Distribuição”, completa.
Rezende afirma que, ao contrário do que se imagina, o maior concorrente do Brasil para este mercado não é somente a China. “Nossos maiores problemas são a Europa, Japão e os Estados Unidos. Uma ferramenta produzida no Brasil custa cerca de 25% a 30% mais que a mesma produzida nos mercados acima citados. Somente a reforma tributária poderia melhorar essa situação”, defendeu o novo presidente do Sinafer.
“Com o encolhimento do mercado interno após a crise da Europa, Estados Unidos e Japão, os fabricantes de ferramentas desses países têm exportado para o Brasil com preços que talvez estejam muito próximos de seus custos de produção. Só assim eles garantirão volume e, consequentemente, o emprego de seus cidadãos. Mas estão, em contrapartida, desempregando os brasileiros”, O setor, que em 2008 empregava no Brasil 282 mil trabalhadores, encerrou 2010 com 265 mil vagas. completou Rezende.
Os Números do Setor
Indústria de Ferramentas tem queda de 8,4% no trimestre
O segmento de ferramentas apresentou queda de 8,4% no ritmo de produção no primeiro trimestre de 2011 quando comparado com igual período de 2010. Quando comparado o primeiro trimestre de 2011 com o mesmo período de 2007 nota-se uma defasagem de 23%. Esta perda no crescimento da produção de ferramentas no Brasil está associada ao aumento das importações.
TOTAL DE IMPORTAÇÕES DE FERRAMENTAS
JANEIRO/MARÇO 2010 JANEIRO/MARÇO 2011 VARIAÇÃO
US$ 225,5 milhões US$ 353,8 milhões + 57%