Abitrigo . sexta-feira, 24 de abril de 2020
Política+/Análise: O pragmatismo de FHC
(Estadão Conteúdo)
Com quase 90 anos e experiência de sobra, Fernando Henrique Cardoso defende o pragmatismo. E age assim. Em um bate papo organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), o ex-presidente da República foi claro ao opinar sobre o atual mandatário: não existe qualquer motivo constitucional para um impeachment de Jair Bolsonaro e sua força para a disputa de um segundo mandato, em 2022, não pode ser menosprezada.
FHC sabe bem o poder que tem a caneta presidencial. Em meados 1998, patinava na campanha à reeleição e as pesquisas mostraram Luiz Inácio Lula da Silva como favorito. Mas bastaram alguns meses para tucano ser reeleito. Ganhou no primeiro turno, com quase 36 milhões de votos, 53% dos válidos, e venceu em 23 Estados e no Distrito Federal.
"Bolsonaro tem forças, tem apoio, não dá para menosprezar. E ele vai ser candidato", resumiu FHC, durante a conversa liderada pelo embaixador Rubens Barbosa, que presidente a associação da indústria moageira de trigo.
FHC avaliou, no entanto, que a crise gerada pelo novo coronavírus pode acabar com a "polarização entre Bolsonaro e o PT" desde que surja uma nova liderança política no País. Para o ex-presidente, o "centro" do espectro político possui nomes como os governadores tucanos de São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Ambos, "estão se movendo" e, assim como Bolsonaro, mostram que sabem usar a comunicação, principalmente pelas redes sociais.
Comunicador profissional, o apresentador Luciano Huck é prejudicado pela crise do coronavírus, porque "fica sem alavanca de poder" na avaliação de FHC. Lula não teria mais condições de disputar, mas o PT vai ter candidato em 2022, possivelmente algum governador no Nordeste. "Alguns deles não são maus", concluiu o pragmático FHC.
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Fonte: Estadão Conteúdo