Starrett . quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Sugestão de artigo: A face humana do lucro
Por Francisco Bertagnoli*
O capitalismo está ficando mais humano. E não é por bondade, mas porque a forma de se produzir e os conceitos dos consumidores mudaram radicalmente nas últimas décadas. A transformação é tão grande que hoje há uma busca incesante em agregar valores aos produtos comercializados. Tornou-se primordial para as empresas encarar a mão-de-obra e a sociedade como parceiros no processo de produção e não apenas como funcionários ou consumidores. Dois conceitos se destacam nesta fase mais humana das empresas: a segurança dos trabalhadores e a preocupação ambiental.
A economia gerada com a questão ambiental pode ser alcançada por meio de coletas seletivas, palestras sobre o uso racional da água e utilização de gás ecológico na câmara fria de refeitórios, só para citar alguns exemplos. A conscientização ecológica é útil neste processo e pode ser feita por meio de plantios de árvores nas proximidades da fábrica e eventos como semana do meio ambiente. Essas ações podem, inclusive, ser divulgadas na sociedade, o que representa outro ganho empresarial.
Embora não seja o papel direto da empresa, a reeducação para questões ambientais tem se mostrada mais eficaz quando praticada pelo segundo setor do que pelo governo, por exemplo. Isto porque o local de trabalho, seja ele de grande ou pequeno porte, permite que os funcionários pratiquem quase que imediatamente os conhecimentos adquiridos. Dessa forma, uma palestra sobre reciclagem gera a coleta seletiva, uma Semana de Prevenção de Acidentes de Trabalho incentiva a limpeza do local de trabalho, conscientiza sobre o uso de drogas, doenças sexualmente transmissíveis e outros assuntos que extrapolam as dependências da empresa.
A proteção física e mental dos funcionários também pode resultar em lucro. A empresa, especialmente por meio dos seus chefes de segurança, tem contribuído para a redescoberta da saúde como principal patrimônio humano. Os equipamentos de proteção, a presença de psicólogos e parceria com convênios médicos evitam maiores transtornos e previnem possíveis afastamentos de funcionários.
Além disso, quanto mais seguro o empregado sentir-se no local de trabalho, melhor será o aproveitamento das horas que ele dispõe para concluir suas tarefas. A sensação de segurança reproduz, em menor escala, o sentimento familiar e reduz fatores de estresse e passividade diante dos desafios. No final das contas, esse contexto resulta em lucro.
Esses conceitos têm sido bastante difundidos nas grandes empresas, mas o que se percebe é que eles são muito úteis nas menores, também. Até as pequenas ações na preocupação ambiental e na segurança interna trazem benefícios para a sociedade, para os funcionários e para o empresariado. Vivemos uma fase importante, pois as indústrias têm descoberto que seu papel vai além de contratar e produzir. Gerar lucro sem agredir o meio ambiente e proteger seus colaboradores faz parte dessa nova face.
*Francisco Bertagnoli é gerente de Recursos Humanos da Starrett.