Durante três dias, os profissionais do setor puderam conhecer sobre novas tecnologias e técnicas de criação, em aulas teóricas e práticas.
Integrar o setor acadêmico com o setor produtivo da piscicultura, além de difundir novas tecnologias, técnicas de criação por meio de palestras e aulas práticas sobre sanidade. Essa é a missão do 8º Curso de Sanidade em Piscicultura, promovido pelo Laboratório de Patologia de Organismos Aquáticos (Caunesp Jaboticabal/SP), que reuniu 250 participantes entre os dias 15 e 17 de julho, em Jaboticabal (SP). Com o tema “Problemas ambientais e sanitários desafiando a piscicultura brasileira. Como superá-los?”, produtores, acadêmicos e profissionais do setor puderam trocar experiências e atualizar os conhecimentos.
O curso tem a coordenação da técnica em piscicultura da Trouw Nutrition Brasil, Daniela Nomura Varandas, que também é zootecnista e mestre em aquicultura, e de Fabiana Pilarski bióloga e pesquisadora do Caunesp na área de Sanidade de Organismos Aquáticos. Como parte do evento, também foi realizada uma exposição de equipamentos, produtos e serviços destinados à aquicultura, demonstrando o crescimento do curso e a importância do setor na produção de alimentos.
Formatado com palestras e expositores, a ideia é ampliar o evento nos próximos anos, segundo as organizadoras. “A troca de informações nesse evento é muito rica, pois há interação em todos os elos da cadeia produtiva. A expectativa para as próximas edições é ampliar. Queremos manter o formato de workshop, mas trazer mais parceiros e oferecermos um evento completo para a cadeia da piscicultura”, aponta Daniela.
Modelo dinamarquês
Ainda pouco utilizado e difundido no Brasil, um dos temas que atraiu os participantes foi sobreo sistema de produção de peixe que utiliza a recirculação de água, apresentado pelo Ph.D Jesper Heldbo, da AquaCircle, na Dinamarca, novidade do congresso esse ano. O especialista abordou sobre os princípios de produção de peixes em sistemas de recirculação (RAS) e como, atualmente, o país conseguiu ter 44 fazendas produtoras que são modelo na reutilização da água, certificadas pelo órgão do meio ambiente da Dinamarca, que juntas, produzem metade dos peixes do país.
“Recirculação em aquicultura é um sistema que estabelece que nada supostamente irá sair e isso em diferentes níveis.Comprovadamente há melhor qualidade da água nas fazendas, reduziu-se o uso de medicamentos e houve maior controle de doenças.Um resultado positivo é que também houve uma redução de nitrogênio nos efluente e 95% da matéria orgânica não foi colocada no meio ambiente”, explica o dinamarquês.
No entanto, o modelo de produção por recirculação é considerado caro e necessita de investimentos altos. As propriedades dinamarquesas referência são resultado de um projeto que contou com a contrapartida governamental. “O projeto começou com 235 produtores que concordaram em investir nessa tecnologia.Um projeto extremamente caro, mas, as pisiculturas concordaram em investir 60% do valor, auxiliados com o restante do governo dinamarquês com a comunidade europeia”, explica.
Por um período de dois anos, as propriedades foram auditadas periodicamente, das quais, 44 foram certificadas e consideradas referência após o período de observação. Segundo o especialista, atualmente, a Dinamarca possui 180 fazendas produtoras de peixe.
Produtores em peso
Para o produtor Gustavo Bozano, diretor operacional da MCassab em Rifaina (SP), que utiliza a tanque rede em sistema super intensivo e produz 300 toneladas de tilápia por mês, o futuro da aquicultura é o sistema de recirculação e reaproveitamento de água. “Mas essa realidade ainda é distante para o Brasil, por ser muito caro. São raros os produtores que possuem esse sistema”, afirma.
Participar do evento, para ele é de extrema importância, devidoà interação entre produtores, técnicos, estudantes, professores e pesquisadores. “Há uma troca de informações com pessoas que atuam num mesmo segmento, mas, com funções e visões diferentes. No entanto, o foco é único: desenvolver aquicultura no Brasil. Precisamos fortalecer a cadeia como um todo e, se no dia a dia os produtores não tem acesso à pesquisas, ao ambiente acadêmico, aqui é a oportunidade”, acredita.
Produtor de tilápia há 25 anos, usando tanque-rede e escavado, Alexandre Fabrino, da piscicultura São Francisco, ressalta que sempre prioriza participar do curso. “Sempre agrega muito e podemos aplicar as orientações, seja no manejo, na nutrição, além da troca de experiências serem favoráveis”, salienta. Parceiro da Trouw Nutrition Brasil, o produtor destaca que utiliza o programa de nutrição Fri-Aqua, aponta que a credibilidade da empresa está agregada ao valor de estar em eventos como esse. “Só confio na equipe Fri-Aqua porque sei que está diretamente ligada às inovações e pesquisas comprovadas, com resultados. Trazer tecnologia a nós, produtores é fundamental e dá maior credibilidade”, enfatiza.
Segundo Rodrigo Maia, da piscicultura Itaju Peixe Bom, participar de palestras e interagir com o setor são pontos fundamentais. No entanto, uma das maiores reivindicações do setor é a falta do apoio governamental. “Eventos como esse é o que falta para nossa cadeia. Ainda é preciso mais suporte do governo para regulamentar a atividade, além damelhor divulgação entre os consumidores”, aponta.
O secretário executivo da Associação Brasileira da Piscicultura – PeixeBR, Francisco Medeiros, que palestrou sobre a cadeia produtiva no Brasil, ressalta que é de extrema importância a participação de todos os agentes da cadeia produtiva, para atuar na construção de uma piscicultura forte no Brasil.“Primeiro item é integrar academia com setor produtivo. Reunir a cadeia produtiva é uma missão. Ainda é muito dispersa e, cada um está trabalhando de um jeito. O que nós queremos é sensibilizar o piscicultor para estarmos juntos e que é essencial receber novas informações. O evento é um modelo que tende a se consolidar”, aposta.
Com 31 anos de experiência em piscicultura, Wagner ChakibCamis, da piscicultura Água Pura, em Redenção da Serra (SP), aposta na produção de 480 toneladas de tilápia esse ano. Ele espera levar o que aprendeu durante o curso para melhorar a sua atividade. “É o terceiro ano que venho e isso só demonstra que o setor está se profissionalizando cada vez mais. É indispensável, quem quer ter sucesso e melhorar sua produção, participar de um evento como esse”, diz.
Na prática
Osparticipantes tiveram a oportunidadede aprender sobre o uso correto de equipamentos para diagnóstico de enfermidades na piscicultura, anatomia e fisiologia de peixes, hemograma de peixes, diagnóstico das principais parasitoses e bacterioses de peixes. Também foi ministrada uma oficina de curtimento de peles de peixes, é uma atividade que pode se tornar fonte de renda.
Para Fabiana Pilarski, as aulas práticas demonstrativas de produtos e equipamentos tem como foco fazer com que todos entendam sobre a importância de prevenir doenças, evitando perdas e grandes prejuízos.“Eles aprendem como identificar os principais sinais clínicos de enfermidades parasitárias e bacterianas nos peixes, bem como visualizam esses patógenos no microscópio. Com isso, podem aplicar o que aprenderam no dia a dia em suas pisciculturas”, explica.
A proposta é enfatizar aos participantes sobre a importância de se atualizar e modernizar a produção brasileira, a exemplo do que acontece em países como Chile e Noruega, que trabalham exclusivamente com a prevenção de enfermidades, utilizando medidas de biosseguridade, reduzindo o uso de antibióticos e produtos químicos e para produzir um peixe sustentável que realmente contribua com a saúde do consumidor.
Sobre a Trouw Nutrition
Uma das líderes globais em nutrição animal e rações para peixe. Suas avançadas soluções de produtos estão na origem da alimentação de milhões de consumidores do mundo inteiro. Qualidade, inovação e sustentabilidade são princípios norteadores, incorporados à cultura da companhia desde a pesquisa e aquisição de matérias-primas até produtos e serviços para produtores e criadores. A experiência de 100 anos confere uma rica herança de conhecimento e experiência na construção de seu futuro.
Com foco em ciência e tecnologia, a Trouw Nutrition possui 10 centros de pesquisa, localizados em países como Holanda, Noruega, Espanha, Canadá, China, entre outros. Presente em 30 países, com vendas em 80 países, a Nutreco emprega cerca de 10.000 pessoas. Está listada na Bolsa de Valores NYSE Euronext em Amsterdam e reportou uma receita anual de € 5.2 bilhões in 2013.
No Brasil, iniciou suas atividades ao adquirir duas empresas holandesas com operações no país: a Selko, em 2002 e a Sloten, em 2005. Em 2009, adquiriu 51% das ações da Fri-Ribe, uma das principais produtoras de ração completa do Brasil, criando uma joint venture. Após dois anos de forte desenvolvimento e cooperação, em março de 2012 assumiu o controle total da empresa. Em abril de 2012, consolidando sua posição de destaque no mercado brasileiro de nutrição animal, adquiriu a brasileira Bellman Nutrição Animal, especializada em suplementos minerais de alta tecnologia para ruminantes. Em dezembro de 2014, a Empresa adquiriu mais duas empresas no Brasil, em linha com sua estratégia de expandir seus negócios no país - a Fatec Indústria de Nutrição e Saúde Animal Ltda (produtora e fornecedora brasileira de premixes e produtos de saúde animal para aves de corte e postura, suínos e gado de leite) e a BRNova Sistemas Nutricionais S.A. (fornecedora brasileira de premixes e nutrição animal principalmente para aves e suínos).
A Trouw Nutrition Brasil produz alimentos para várias espécies de animais como camarões, peixes, bovinos de corte e de leite, equinos, aves, suínos, ovinos e cães, entre outros. Atualmente, a companhia conta com 10 fábricas estrategicamente localizadas em seis estados: São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Ceará e Piauí.
Mais informações: www.trouwnutrition.com.br